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Como a educação pode se voltar aos estudantes?

  • ip2459
  • 5 de mai.
  • 2 min de leitura

por Luis Eduardo Azevedo

A educação popular parte da ideia de que o conhecimento só ganha sentido quando dialoga com a realidade concreta das pessoas. Inspirada na pedagogia freireana, propõe uma educação que reconhece os sujeitos como capazes de interpretar criticamente o mundo, em oposição à passividade atribuída ao estudante no modelo tradicional. Dessa perspectiva, surge a pergunta que atravessa minha atuação como estudante do ensino médio e educador em formação: como a educação pode, de fato, voltar-se à realidade dos estudantes?


Minha aproximação com essa indagação se deu por meio de dois projetos desenvolvidos no Rio de Janeiro, em parceria com meus colegas de classe Diego Saraiva, Renzo Ajus e Eduardo Picone: o Projeto Atena e o Instituto Sellos Meirelles Azevedo (ISMA). O Atena promove encontros semanais com 30 estudantes da rede pública, voltados à preparação para os vestibulares de entrada ao ensino médio. Já o ISMA atua na educação financeira, buscando ampliar a autonomia dos trabalhadores e fortalecer sua leitura da economia em que se inserem.


No Atena, a preparação para provas nunca é um fim em si. O estudo torna-se um espaço de ampliação de horizontes: acesso a recursos inéditos, reflexão sobre trajetórias futuras e desenvolvimento de formas próprias de aprender, adaptadas a cada aluno. Já a educação financeira, no ISMA, é tratada como uma ferramenta crítica, a partir das experiências dos participantes, para ampliar o entendimento sobre a economia e promover decisões mais conscientes. 


Em ambos, os temas partiram de demandas concretas percebidas no contato com os participantes. No Atena, isso se reflete na presença de mais de 90% nas aulas e no engajamento constante. No ISMA, ver trabalhadores alocando melhor suas economias mostrou que a iniciativa atendia a uma necessidade real.


Nos dois casos, o conhecimento ganha sentido quando se volta ao impacto na comunidade. Ensinar passa a significar criar condições para que o outro se reconheça como sujeito social, capaz de compreender e transformar sua realidade. Assim, educar reafirma-se como um ato político e humano, comprometido com a transformação social. 


Sobre o autor: 

Luis Eduardo Azevedo, 18 anos, é um jovem carioca recém-formado no Ensino Médio pelo Colégio Santo Agostinho, onde cofundou o Projeto Atena e o Instituto Sellos Meirelles Azevedo. Em 2026, iniciará seus estudos em Economia e Ciências da Terra na Cornell University. Seu trabalho concentra-se em iniciativas voltadas à educação, ao desenvolvimento e ao impacto social.


 
 
 

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